Comportamento de direção x consumo de combustível – qual a relação?

Entenda como dirigir melhor pode trazer economia de combustível para sua frota

2020

Blogpost | Gestão de Frotas

O consumo de combustível é uma das principais questões enfrentadas por empresas que possuem frotas de veículos – afinal abastecer o carro é imprescindível para que você realize as entregas ou visite os clientes no dia a dia.

E aí começam alguns questionamentos dos empresários e gestores de frotas: é melhor utilizar álcool ou gasolina? Qual combustível rende mais? Usar cartão combustível vale a pena? Como eu sei se o rendimento dos meus veículos está dentro do esperado?

Mas o problema do abastecimento dos automóveis vai além da simples escolha entre um tipo de combustível ou outro, ele está completamente relacionado com a forma como os veículos são conduzidos. Vamos entender melhor esta relação, entre o comportamento de direção e o consumo de combustível?

Comece pelo rendimento dos seus veículos

O primeiro passo para analisar o consumo de combustível dos seus veículos é entender o rendimento e suas variáveis: tipo de uso, modelo do automóvel e combustível utilizado. O rendimento nada mais é do que a média de quilômetros que o veículo percorre pela quantidade de combustível abastecida.

A indicação de rendimento ideal é feita pelas próprias montadoras e está presente no manual de uso, de acordo com o modelo do automóvel. Mas talvez você, como gestor de frota, não consiga ter em mente a referência de consumo de todos os modelos presentes no pátio da empresa.

Por isso, o Inmetro disponibiliza uma relação anual de veículos leves aprovados no Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) e que estão autorizados a ostentar a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) – ou seja, a lista de indicação de consumo de cada automóvel. Você pode acessar este material clicando no botão abaixo:

Para fazer a conta do rendimento do seu automóvel de forma manual, é indicado sempre começar o ciclo com o tanque cheio. Aí basta seguir os passos: anotar a quilometragem do hodômetro, utilizar o automóvel até que chegue na reserva e, antes de encher o tanque novamente com o combustível de preferência, anotar a quilometragem e a quantidade de litros que serão abastecidos. Com estes dados, você consegue descobrir quantos quilômetros seu veículo está rendendo por litro e quanto você está gastando para trafegar no período, e aí sim pode comparar com o número indicado pelo Inmetro.

O mais importante nesta primeira fase de análise do rendimento é construir um histórico do veículo. Neste quesito, o cartão combustível pode ser uma boa estratégia, porque a maioria das empresas solicitam a quilometragem mostrada no hodômetro no momento do abastecimento e quantos litros foram abastecidos.

Compare o rendimento com o comportamento de direção

Além do modelo do veículo e do tipo de combustível, a forma de uso também influencia na análise do rendimento. Geralmente, os automóveis rendem menos quando são utilizados dentro da cidade, em comparação com o uso nas estradas. Isso porque a cidade tem vias de trânsito que exigem mais ações do veículo, como as frenagens e as acelerações necessárias quando se para no sinaleiro.

Mas a diferença entre consumo na cidade e na estrada já é conhecida, e o que você pode não saber é quanto o comportamento de direção pode influenciar na hora de fechar a conta!

Um estudo desenvolvido pela Mobi7 monitorou 23 veículos utilizados dentro de Curitiba (PR), pelo time comercial de uma empresa. Ao cruzar os dados levantados pelo sistema sobre a quantidade de frenagens bruscas e sobre o consumo de combustível, nossa plataforma identificou uma relação diretamente proporcional: quanto mais frenagens bruscas, maior o consumo de combustível.

Neste caso, as frenagens são o indicador da chamada direção ofensiva, afinal se o veículo precisa reduzir a velocidade de forma brusca isso significa que ele estava em alta velocidade – ou pelo menos mais alta do que o indicado para a via. Mas para este exemplo também poderíamos utilizar outras métricas de ofensas no trânsito, como as acelerações e os excessos de velocidade.

Pense comigo: quanto mais rápido o veículo está, mais rotações o motor precisa fazer para manter aquela velocidade – e quanto mais ciclos de rotação o motor realiza, mais vezes o sistema vai injetar combustível para dentro da máquina. Além disso, o automóvel conduzido em alta velocidade também precisa de mais força para que seu peso seja parado durante uma frenagem. Então o veículo em excesso de velocidade não apenas consome mais combustível, mas provavelmente vai sofrer um desgaste maior do seu motor, do sistema de freios e dos pneus.

Inclusive, os pneus descalibrados ou furados também são sinônimo de alto consumo de combustível. De acordo com a Continental Pneus em reportagem para Web Motors, rodar com pneus descalibrados pode aumentar o consumo em 2% a cada três libras (3 psi) abaixo da especificação indicada. “Rodando cerca de 30 mil km, diz a fabricante de pneus, você acaba desperdiçando aproximadamente 55 litros de combustível”.

E agora, como medir o comportamento de direção?

Depois de lhe apresentar como calcular o rendimento dos seus veículos e mostrar que este índice tem relação direta com o comportamento de direção, é hora de falarmos sobre como mensurar a forma de condução realizada pelos seus motoristas.

Quando a frota não possui um sistema de telemetria, a análise precisa ser guiada pela exclusão de fatores. Vamos tomar como exemplo dois utilitários de uma empresa: depois de anotar as quilometragens e abastecimentos sabemos que o veículo 1, conduzido pelo seu Zé, faz 10km/l durante as entregas da cidade, e o veículo 2, dirigido pelo seu João, faz 8km/l.

Neste caso, o gestor da frota precisa eliminar da conta os fatores mecânicos. Por isso, ele mantém os dois ativos com as manutenções preventivas em dia, o que significa que seus motores estão alinhados e sem desperdício de combustível. Além disso, ambos passam pela calibragem dos pneus semanalmente.

Depois disso, o único fator que resta para explicar a diferença no consumo entre os dois utilitários é o comportamento de direção. E para confirmar a hipótese, a dica é alternar os veículos entre os motoristas e medir o consumo novamente. Se veículo conduzido pelo seu João continuar com o consumo mais alto, isso significa que sua forma de dirigir é mais agressiva, e isso faz com que ele use mais combustível.

Uma ferramenta de telemetria como a Mobi7 entrega toda essa análise de consumo de forma automática. Nosso sistema identifica a velocidade média de tráfego dos seus veículos, assim como a quantidade de acelerações e frenagens a cada trajeto, e cruza com as informações de abastecimento que são cadastradas. Estes dados servem como instrumentos para medir o comportamento de direção com mais exatidão e avaliar como a condução está influenciando no consumo de combustível da sua frota.

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